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Justiça decreta prisão e apreensão de alunos suspeitos de torturar calouros de Etec com alicate, cintos e canos

Alunos são acusados de torturarem calouros por 'juramento de trote' em alojamento de Etec A Justiça de Iguape (SP) decretou a prisão de Kaue Vinicius Souza, ...

Justiça decreta prisão e apreensão de alunos suspeitos de torturar calouros de Etec com alicate, cintos e canos
Justiça decreta prisão e apreensão de alunos suspeitos de torturar calouros de Etec com alicate, cintos e canos (Foto: Reprodução)

Alunos são acusados de torturarem calouros por 'juramento de trote' em alojamento de Etec A Justiça de Iguape (SP) decretou a prisão de Kaue Vinicius Souza, de 18 anos, e a apreensão de dois adolescentes, de 15 e 16 anos, suspeitos de envolvimento em agressões contra calouros de uma Escola Técnica Estadual (Etec), ocorridas em um alojamento no litoral de São Paulo. O caso foi registrado na Polícia Civil como lesão corporal e vias de fato. Os três foram indiciados e liberados na quarta‑feira (11). O Conselho Tutelar também foi acionado. Em nota, o Centro Paula Souza (CPS) declarou que repudia qualquer forma de violência e acompanha o caso. A unidade de ensino informou que os alunos foram afastados das atividades presenciais. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Santos no WhatsApp. Ao g1, familiares das vítimas relataram que as agressões ocorriam durante um chamado ‘juramento de trote’ supostamente firmado entre calouros e veteranos no início do ano letivo, em fevereiro. Segundo os relatos, os estudantes eram orientados a não denunciar as agressões -- algumas gravadas. Ainda de acordo com os familiares, as práticas incluíam agressões com alicate, cintos, pedaços de cano e tapas, além de atos humilhantes. Os investigados cursavam o segundo e o terceiro ano do Ensino Médio (veja mais abaixo) Kauê Vinicius Martins Souza (à dir.) foi acusado de torturar alunos de Etec em alojamento no litoral de SP g1 Santos Após o registro da ocorrência, a Polícia Civil instaurou um inquérito para aprofundar as investigações. Com base nos elementos reunidos até o momento, a corporação solicitou à Justiça mandados de prisão e de busca e apreensão contra os investigados. A Justiça acolheu os pedidos e expediu os mandados. Até a última atualização desta reportagem, não havia confirmação oficial sobre o cumprimento das ordens judiciais. Um dos suspeitos, segundo apuração do g1, reside em Eldorado (SP). Acusações A equipe de reportagem foi informada de que o trio atuava como uma espécie de liderança do alojamento, que tem capacidade para 28 alunos. Segundo os relatos, ao menos cinco calouros teriam sido submetidos a agressões, com a orientação de que não comunicassem os fatos aos funcionários da escola. Ainda conforme as informações obtidas pelo g1, os abusos ocorriam durante a semana, principalmente no período noturno, e incluíam agressões físicas e atos de humilhação, alguns deles praticados enquanto as vítimas descansavam. Aos finais de semana, parte dos estudantes retornava às residências. A situação veio à tona após a família de uma das vítimas perceber um ferimento provocado por alicate no peito do adolescente, quando ele voltou para casa, e procurar as autoridades. Segundo o relato, uma parente dele foi ao alojamento para esclarecer a situação e encontrou pelos pubianos espalhados na cama como forma de punição. No local, a família tomou conhecimento de outros menores torturados. De acordo com os depoimentos, as agressões terminariam após o "Dia da Libertação" estabelecido no juramento para 18 de março. Alunos foram acusados de torturarem adolescentes com facas e alicates em Iguape g1 Santos Investigação Na quarta-feira (11), quando a familiar foi ao local, a Polícia Militar foi acionada e encaminhou os envolvidos à Delegacia de Iguape, onde o caso foi inicialmente registrado como lesão corporal. Na delegacia, foram apreendidos os celulares dos três indiciados, assim como dois alicates e uma faca. A família da vítima com o ferimento no peito também denunciou que havia drogas escondidas no alojamento. Segundo eles, a polícia não procurou pelos itens. No telefone dos jovens, foram encontrados registros em vídeo das agressões. Em uma delas, um dos menores aparece dizendo "já sofri demais hoje" a um dos investigados e se negando a ir ao local onde ocorriam as agressões. Nas redes sociais, responsáveis pelas vítimas destacaram que aguardam as providências por parte da instituição de ensino. "Depositamos a nossa confiança nessa escola, para depois termos esse resultado que estamos tendo", alegou um deles. Imagens fortes Reprodução Alunos foram acusados de torturar adolescentes com facas e alicates em Iguape (SP) g1 Santos O que diz a Etec Em nota publicada nas redes sociais, a Etec Engenheiro Agrônomo Narciso de Medeiros afirmou que repudia os fatos. "Toda unidade escolar foi fortemente atingida pelas notícias. A surpresa e a indignação nos paralisaram por um momento", declarou a instituição. "Agora enfrentando a realidade dos fatos, foi criado um comitê de crise, que teve como primeira medida, o afastamento imediato dos 3 alunos envolvidos", destacou O comunicado, assinado pelo diretor Mauro Sérgio Adinolfi, ressaltou que a unidade acompanha a apuração dos fatos para "analisar todas as questões legais, no intuito de solucionar o caso e restabelecer a ordem no âmbito escolar". A escola acrescentou que os envolvidos já não permanecem no convívio escolar, situação que, segundo a nota, "deve trazer tranquilidade e paz aos demais alunos para continuidade de seus projetos educacionais". Já o Centro Paula Souza (CPS), que administra a unidade, informou que apura rigorosamente os fatos para aplicação das medidas legais cabíveis e se coloca à disposição das autoridades para colaborar com as investigações. Segundo o CPS, os alunos envolvidos no caso seguirão com atividades remotas até que os trâmites legais sejam concluídos. "O CPS repudia todo e qualquer ato de violência, dentro ou fora do ambiente escolar, e presta auxílio aos estudantes e suas famílias” Conselho Tutelar O Conselho Tutelar de Iguape destacou que acompanha a situação e atua garantindo as medidas de proteção aos adolescentes, acionando os responsáveis e assegurando os direitos. Apenas uma das vítimas é moradora da cidade, ainda segundo o órgão. O conselho destacou que o jovem será encaminhado para acompanhamento da rede de proteção. Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que diligências estão em andamento visando o esclarecimento dos fatos e as responsabilizações necessárias. VÍDEOS: g1 em 1 minuto Santos